Aventura ao acaso

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Russo
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25 Mar 2013, 13:31

Ae Kameraden:

O que era prá ser uma simples viagem de trabalho acabou, por conta do clima, virando uma aventura.
Neste último final de semana, 22 e 23/03/13, eu tive que viajar de Curitiba à Caçador, à negócios.
Verifiquei a previsão do tempo e, maravilha, previsão de tempo bom de da manhã de sexta até a tarde de domingo... legal, vou de moto... e fui despreocupado, com jaquetão, luvas e botas de couro, calça jeans, bem easy rider. Não levei a capa Alba nem as luvas de borracha ou as galochas, a única coisa que levei foi uma capa de chuva Delta, bem fina, apenas porque ela sempre fica no side bag.

A viagem de ida ocorreu sem transtornos, sai de casa às 11:30 da sexta-feira, foi rodando sossegado pela 116, via Mafra, parei no caminho para almoçar tranquilamente e às 16:30 já estava no meu destino.

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Trabalhei das 18 até às 22h de sexta e o durante todo o sábado. Domingão, acordei pelas 7 h, arrumei as malas e desci para tomar o café da manha. De repente começa a chuviscar, é só um chuvisco, pensei... e o chuvisco foi engrossando, engrossando e antes que eu terminasse o café o chuvisco tinha virado uma chuva fina e constante.

Paciência, às 9:00 já estava na estrada, rumo à União da Vitória, depois São Mateus do Sul. Palmeira e Curitiba, com previsão de chegar em casa lá pelas 14:30.

Às 10:30, a chuva fina já havia virado chuva forte e minhas luvas e botinas já estavam ensopadas, quando passo por Gen. Carneiro. Na beira da estrada havia num cartaz (bem pequeno, por sinal), avisando que 20 km antes de União da Vitória a pista seria interditada a partir das 11h. Beleza, dá tempo, pensei... só que, 10 minutos depois, a pista já estava interditada... que m...

Desco da moto e vou conversar com o funcionário da empreiteira que estava cuidando da interdição da pista. Fico então sabendo que seria feita uma dinamitação de uma pedra, às 11:30 h e que a limpeza e liberação da pista levaria de duas a três horas. Dali à pouco, passa uma viatura da PRF com as sineres ligadas e o funcionário avisa: vão detonar... logo após... CABRUMMM, o chão treme, exatamente às 11:30. Sem outra alternativa, fiquei ali, sob uma chuva fria e constante, aguardando a liberação da pista.

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Uma hora depois, chega uma camionete da empreiteira e o motorista diz ao funcionário que estava cuidando da interdição:
- cara... o estrago foi grande, voôu pedra prá tudo quanto é lado, encheu de entulho na pista... e o que é pior: o telhado "da zoninha" virou uma peneira, quebrou todo o eternit... vai demorar até as 17 ou 18 h para as máquinas limparem a pista.

Complicou... e avaliei as minhas alternativas:
a) ficar ali, na chuva, até as 17 ou 18 h esperando a liberação da pista;
b) voltar uns 20 km e pegar o acesso para Bituruna, daí para Guarapuava e depois para Curitiba;
Em ambos os casos, iria chegar em casa lá pelas 22 h...

Resolvi retornar uns 3 km até um restaurante para almoçar, tomar algo quente pois já estava congelando naquela chuva, que havia engrossado e tentar ligar para casa, pois onde estava não pegava sinal de celular. Foi o que eu fiz, almocei sossegado, tomei um copo de vinho "colono" e liguei para casa, a cobrar, de um orelhão, avisando que iria demorar um pouco mais para chegar.

No restaurante (Restaurante Marciano, entre Gen. Carneiro e União da Vitória, parada de camioneiro, comida boa e barata), fiquei sabendo da existência de uma "estrada de chão", ali perto, que cortava por Matos Costa, até Porto União, num total de uns 30 km.
Perguntei como eram as condições da estrada e o pessoal disse que era boa e estava toda "cascalhada".

Pensei comigo: 30 km de estrada de chão eu faço em uma hora com o Harlão, tocando bem pianinho. Melhor que ficar parado ou tocar até Guarapuava... e me larguei atrás de uns SUV e umas picapes que resolveram fazer esse trajeto.

Não parei para tirar fotos da estrada, pois se parasse, não sei se teria ânimo para retornar, pois estava com os pés e mãos congelando. Mas achei uma foto dessa estradinha na internet:

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A foto acima é com o tempo seco, mas, com chuva, ela estava mais parecida com essa aqui:

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O problema é que em muitos trechos a chuva levou o cascalho de partes da estrada, deixando apenas o leito de barro.
E pilotar uma Harley de 320 kg no barro não é uma coisa muito fácil de se fazer. Na verdade, não é nada fácil, eheheh, no barro parece que se está pilotando duas motos ao mesmo tempo, cada uma pesando 160 kg e, com vontades próprias e conflitantes, a frente querendo ir para um lado e a traseira querendo fazer o que bem entende.

Era como se estivesse montado em dois cavalos ao mesmo tempo:

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Se rodasse acima de 20 km/h a traseira começava a jogar e a desgarrar e se a velocidade caísse para menos de 10 km/h a frente não obedecia... então fui tocando, alternando trechos de estrada ruins com outros piores, tendo que jogar a moto para o canto da estrada de tempos em tempos, para das espaço aos 4X4 que também resolveram pegar esse desvio.

Resultado, levei pouco mais de 2 h para fazer os 30 km até Porto União, cheguei lá eram 3:45 da tarde, abasteci a motoka, tomei um café quente e toquei direto, ainda sob chuva, para São Mateus do Sul. As minhas alternativas eram:
a) se a chuva aumentasse, pernoitaria em São Mateus;
b) se a chuva diminuisse, tocaria até Palmeira.

Chegando em São Mateus, a chuva continuava igual, fina e constante, então resolvi arriscar e toquei até Palmeira, e a chuva foi diminuindo. Cheguei em Palmeira às 18:15 com as mãos e pés congelados, abasteci novamente, tomei um cafezão quente com pão de queijo e às 18:30 toquei para Curitiba. Passando o primeiro pedágio, a chuva parou e o frio aumentou. Na altura do segundo pedágio, além do frio, já havia escurecido e, para ajudar, neblina espessa em São Luiz do Purunã. Cheguei em casa às 19:45.

O que era prá ser um passeio tranquilo de umas 4 horas e meia de duração levou o dobro do tempo, sob chuva, frio e em parte pelo barro... mas faz parte...

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" A smooth sea never made a skilled mariner "
FIlIPy65
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25 Mar 2013, 15:30

E é por causa desses imprevistos, que temos histórias para contar. :lol:

Tá bom. Ainda chegou em casa antes das 22:00hs. :P
Vou deixar aqui meu apoio à lavagem da motinha, pois principalmente depois de um barrão desses, dá um trabalho...

Boa sorte. o/
thiagodomingos
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25 Mar 2013, 15:34

aposto que valeu a muito a pena a viagem :lol:


e uma boa lavada na moto ( que é linda )
O Motociclismo precisa de Grandes Motociclistas e não de Grandes Motocicletas...
thiagodehon
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25 Mar 2013, 20:22

Não tenho duvidas que se voce soubesse de tudo o que aconteceria e pudesse voltar no tempo, iria de moto novamente, haha! São essas aventuras que nos dão histórias pra contar e prazer em pilotar.


Um up pra apoiar na lavagem da moto também, e parabéns pois ela é linda!
dom.arcanjo
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26 Mar 2013, 11:04

Se tivesse dado tudo certo, que graça teria a viagem sem historia pra contar?
É esse tipo de coisa que faz valer a pena a vida em duas rodas.
Na meia idade, a experiência é tão importante quanto a novidade.
http://www.vulcanriders.com.br/
RenanSP
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28 Mar 2013, 00:28

duplicado.
"I wish not the doctrine of ignoble ease, but the doctrine of the strenuous life."
RenanSP
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28 Mar 2013, 00:29

Excelente relato Kamerad!

É o tipo de situação que apesar da adversidade, acabamos superando de certo modo os limites e passamos a aproveitar.
"I wish not the doctrine of ignoble ease, but the doctrine of the strenuous life."
Leandro Lima
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28 Mar 2013, 11:12

Saludos kamerad Russo
Tenho uma aventura parecida com a sua. Porém com uma agravante - a patroa na garupa.
Em dezembro de 2012 acertamos para ir ao Encontro de Motociclistas de Pedra Dourada - Minas Gerais, a uns 150km de casa.
Com muita insistência consegui convencer a partroa de ir a Pedra Dourada. Fiz reserva do hotel e tudo parecia correr na normalidade. Prometi a ela que seria um passeio inesquecível.
Na sexta-feira ao amanhecer, fui na garagem ligar a moto e fixar o baú com nossas tralhas. O tempo amanheceu nublado, sem chuva. Detalhe: até na 5a.feira o tempo estava bom, sem previsão de chuva para o fim de semana.
A patroa logo colocou impecílho, dizendo que iria chover; eu logo fui dizendo que não iria chover e que já tinhamos feito reserva no hotel e já tinha pago 50%. Mesmo assim ela bateu pé e disse que iria chover e etc...
Custei a convencê-la, mas consegui. Saímos de casa por volta das 10 horas da manhã.
Quando tinhamos rodado apenas uns 15km, tive a idéia de fazer um trajeto um pouco mais longo, para aproveitar a andar um pouco mais de moto. Fiz o trajeto novo, que praticamente dobrava a distância, ou seja, de 150km para uns 250km. Não tinhamos pressa de chegar. Foi ai que me fud*.
Começou a chover e em determinados trechos da estrada tinham caído barreiras e fomos por uns atalhos na zona rural (estrada de chão). PQP era barro vermelho que não acabava mais, e a patroa dizia ao meu ouvido "Isso é que é um passeio inesquecível?".
Chegamos no nosso destino por volta das 15:30 horas, sem almoço.
Estou tentando convencer a patroa novamente a dar um passeio de moto comigo, mas a primeira coisa que ela me fala é: "Outro passeio inesquecível eu não aguento."
Abraços.


Olha o estado que chegamos a Pedra Dourada - MG.

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Hotel

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Vista panorâmica hotel

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we find ourselves in hell.
Russo
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28 Mar 2013, 12:53

Ae Kamerad Leandro:

Sei bem o que é isso.
No final de janeiro de 2010 fui com uma 883C, com a D. Russa na garupa, de Curitiba/Pr a São Lourenço/MG. Na volta resolvi passar por São Bento do Sapucaí e dali para Campos do Jordão/SP. Eu resolvi ir por uma serrinha, super travada e,putz, estava caindo uma garoa forte e havia muito limo, barro ,galhos, folhas e outros detritos na pista...

O relato da viagem está aqui:
viewtopic.php?p=75109

Mas é isso ai... se o motociclismo fosse só sair numa manhã ensolarada de domingo para ir tomar sorvete na pracinha a brincadeira perderia a graça logo, eheheheh...
" A smooth sea never made a skilled mariner "
AJ Souza
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30 Mar 2013, 00:24

Grande aventura a tua Russo...são estas coisas que fazem a diferença entre ser "motoqueiro" e motociclista...

E que lindona é a tua moto cara. Achei super legal aquela combinação bauleto rígido X cores da moto.

Sobre aventuras eu tenho um caso mais ou menos nesta linha "tinha tudo para ser um passeio legal"...hehe De confiar em previsão do tempo e estas coisas...rs Foi na minha ida a Serra do Rio do Rastro-SC recentemente, inclusive tenho dois filmes desse perrengue envolvendo chuva...um vídeo de 15 min., da SRR onde eu falo disso no trajeto e outro dos 5 minutos finais da subida onde eu encarei a situação, com narração...chuva e neblina, foi florida meu! chegando lá em cima não enxergava 10 metros à frente, das placas informando o mirante só via o vulto...rs. A aventura toda está no yutóba, coloca "AJ Souza na serra" que já aparece os dois...

Mas estas coisas fazem parte, to aprendendo...rs

Um abração!!!
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