Bom, só para constar após quase 2 meses com a Shadow consegui colocar ela na estrada para uma viagem curta (o antigo dono era um relaxado e um mentiroso, tive e estou tendo que resolver diversas coisinhas na moto, sorte que a mesma é muito guerreira). Antes só estava rodando diariamente no trânsito urbano, o que não da para extrair uma opinião muito precisa da máquina, já que, não é possível nem jogar uma quarta marcha.
Então ai vai um relato do comportamento da moto na estrada.
O destino: viagem curta até o litoral, para aproveitar os últimos dias das minhas curtas férias.
Ai sabendo que iria passar alguns dias de fronte ao mar tomando aquela cerveja dei um trato na Veterana, passando uma cera especial e etc., para salvaguardar a máquina dos efeitos da maresia, a menina ficou toda vistosa assim:
Feito isso e checado o equipamento de praxe tomei rumo ao Guarujá, eu, a patroa e dois alforges laterais cheios de bagagem para uns dias, o que confere um certo peso a moto.
Com todo respeito a minha antiga Mirage, mas quanta diferença! Alías, uma moto torcuda faz toda a diferença! Tem horas que parece que a moto quer ir sozinha e você vai só administrando o cabo, uma leve esticada faz que ela passe de 80 km à 120 km rapidamente e sem esforço ao motor, isso em quarta em transição para quinta ou em quinta (em subida ou não ela mal sente), então nota-se que o motor da Shadowzeta é muito elástico e mesmo em quinta marcha ainda guarda força para uma ultrapassada com segurança por ex. Porém, não consegui manter muito a 120 que é o limite de alguns trechos da Rod. Dos Imigrantes, pois a pista é larga, há lufadas de vento de tudo que é canto, e isso incomoda muito (estou considerando colocar uma bolha, embora eu desgoste da parte estética) então mantive uma velocidade de cruzeiro de 90 à 110 km/h.
Com relação as curvas, senti mais segurança na Shadow do que a Mirage, aparentemente, é mais fácil fazer curva nela, talvez pelo fato da Shadow ser mais “bobber” e a Mirage “Long and Low” e o pneu novo da Maxxis também não fez feio, em momento algum senti alguma “jogada” da traseira.
Achando que a viagem ia ser toda tranquila por ser uma quarta-feira a tarde e fora de temporada foi meu ledo engano, por conta da espessa neblina estava ocorrendo “Operação descida” o que atrasou meu itinerário em quase 2 horas (nessa hora senti falta de pedaleiras avançadas que nem havia na minha Mirage, pois chegou a dar câimbra nos pés).
Após descer a serra entre 20/30 km/h no meio de umas 30 motos, 200 carros e sabe-se quantos caminhões até o trecho permitido pensei “bom, agora a Domenico Rangoni deve estar “limpa” sem chuva, e o resto da viagem vai ser tranquila. Ledo engano! Estava uma chuva do caceta que comprometia muito a visibilidade (se eu fechava a viseira não enxergava nada se eu deixava aberta era chuva e poeira na cara), e pior, pista cheia de caminhões e dirigindo como se estivessem na formula truck, o grande problema que nesse trecho da Rangoni não há pontos de paradas, parar no acostamento é perigoso tendo em vista a falta de visibilidade e mesmo ser assaltado, então fui na fé e coragem, onde a moto mostrou-se muito estável, mesmo na chuva (O pneu da Maxxis foi uma ótima indicação aqui do fórum) e as ultrapassadas de caminhoes na pista dupla da Domenico , porém com toda cautela e não passando de 100 km/h (a chuva tava braba). Algumas pedradas aqui e ali, uma passada de medo aqui e acolá consegui chegar ao meu destino, foi quando percebi que na chuva a Shadow suja muito mais do que a Mirage, pois eu e a patroa estávamos “afundados na lama” até a altura dos joelhos, e a moto que saiu tão limpa de casa acabou ficando assim, digna de uma off road:
(na mesma ocasião compareci a festa do Piratas da Ilha Mc, se tivesse o prêmio da moto mais suja, eu juro que a Shadow ganhava).
Outra coisa que notei, pelo paralama traseiro ser curtinho, ela joga muito mais sujeira para cima do que a Mirage que tem aquele paralama que parece ser inspirado na Indian, então na chuva realmente a garupa vai reclamar disso, porque parte da sujeira realmente vai para ela eheheh mas roupa de estrada em parte é para isso mesmo.
Agora um ponto que realmente me preocupou, acredito que por eu estar garupado e com peso, qualquer desnível na pista ou buraco um pouco mais profundo, O PNEU TRASEIRO RASPA NA CARENAGEM, não tem nem como dizer que é outra coisa pois o pneu inclusive está com marca dos parafusos da lanterna/sissy bar, se é uma vala então o barulho chega a assustar, isso fez com que eu tomasse muito cuidado ao olhar para a pista e tentar reduzir ao máximo ao passar por esses buracos, mas na Marg. Pinheiros, por ex., isso é um tanto quanto inevitável , estou estudando o que pode ser feito, apesar de achar que isso não fure o pneu, não acho bacana ocorrer. A Mirage mesmo com a suspensão ruim, nunca aconteceu isso, estou atribuindo ao fato da Shadow ser mais baixa.
Enfim, em um aspecto geral, achei a moto muita segura, potente, econômica na estrada (desci e subi a serra com 1 tanque e meio, rodei uns 230 km) e confortável, isso foi constatado na volta que não teve operação da concessionária para subir, nem neblina, nem chuva, nem caminhoneiro retardado passando você rente, a subida da serra foi muito tranquila, em quarta e quinta marcha tranquilamente curtindo a paisagem e as curvas litorâneas numa velocidade de cruzeiro entre 80/110. O que posso assegurar até o momento, é que a Shadow é um verdadeiro tanque de guerra, você pode andar de suave curtindo a tocada do motorzão a forte em questão de segundos de uma forma muito segura que a moto não faz feio.
E que venham as próximas viagens.

"I wish not the doctrine of ignoble ease, but the doctrine of the strenuous life."