Preconceito Motociclístico

Assuntos diversos relacionados ao motociclismo

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Jovi
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Pior que nem lavar a moto eu lavo... :oops: :oops:
Código de Trânsito Brasileiro, Art. 29, XII, § 2º. Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

[]´s Jovi
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wellrod
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e ainda tira onda com a gente... rsrs
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Wellington Rodrigues
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rgallas
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O cara até colocava fogo no carro usando querosene e a pintura ficava intacta.

Pior que eu até comprei aquilo lá por 1993. Pior que o troço era bom mesmo.
Junto vinham duas novidades: um produto pra não embaçar o vidro e outro pra água não parar pelo lado de fora. Fiquei uns 3 anos anos sem usar o limpador de para-brisa. Funcionave meeeeesmo.
Roque Gallas Jr.
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wellrod
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nunca cheguei a conferir esses produtos não... nunca levei fé... eles enchiam o saco insistindo... rsrs
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Wellington Rodrigues
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rafaeladvogado
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rgallas escreveu:O cara até colocava fogo no carro usando querosene e a pintura ficava intacta.

... um produto pra não embaçar o vidro e outro pra água não parar pelo lado de fora. Fiquei uns 3 anos anos sem usar o limpador de para-brisa. Funcionave meeeeesmo.
eu sei... eu comprei pois uma vez eu tinha um fiat prêmio e usava aquelas capas (NUNCA USEM CAPAS NOS CARROS) e a capa fritou a pintura do carro... o carro era cinza e ficou parecendo carro camuflado do exército e a cera foi comprada para carros cinza e realmente deixou o carro novo... sem aparecer nenhuma mancha... e a aplicação durava uns 6 meses... e aqueles produtos antiembaçante eu aplicava no espelho do banheiro pra não embaçar quando tomava banho hehehehehheheheh e tu esqueceu que vinha um produto pra limpar estofamentos... ehhehehe
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rgallas
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É mas em 93 não eram tão chatos. Foi a única coisa que comprei por telefone até hoje.

Os caras além de te chatearem te metem a faca. É sempre o dobro do preço que um produto similar, mas pelo que ouço falar normalmente a qualidade desses produtos é boa.

Pela minha experiência foram ótimos.
Roque Gallas Jr.
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Jovi
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A DEMOFOBIA QUER PUNIR OS MOTOQUEIROS
Correio do povo (RS)

Surgiu uma nova forma de demofobia nas grandes cidades, a repressão aos motoqueiros. No Rio, o governador Sérgio Cabral gostaria de proibir que levassem gente na garupa. Em São Paulo, muitos vereadores querem a mesma coisa, articulando a derrubada de um veto de 2004 da prefeita Marta Suplicy. A defesa dessa providência tem uma atraente base estatística, pois, segundo a Polícia paulista, de cada dez roubos que ocorrem na cidade, seis envolvem motoqueiros. Seriam pouco mais de 9 mil.

Há 600 mil motos em São Paulo. Penalizar o motoqueiro que não assalta os outros, proibindo que usufrua o conforto de um veículo pelo qual pagou, é pura demofobia. Admitindo-se que cada moto-bandida seja usada em apenas dois roubos num ano, a relação das garupas paulistanas com a delinqüência fica em 1,4%. É um índice inferior ao dos ministros de Lula que foram indiciados em processos criminais (10%).

Percebe-se melhor o viés social da idéia sabendo-se que um deputado fluminense (Pedro Fernandes-Dem) apresentou um projeto (1.178/07) proibindo que motos com menos de 500 cilindradas carreguem gente na garupa. Assim, quem compra uma Suzuki de 125 cilindradas (R$ 5.300,00) não tem direito a garupa. Se quiser companhia, deve levar o modelo GS500E, de R$ 19.490,00.

Em vez de se olhar para os motoqueiros de baixa cilindrada como se fossem um estorvo, as cidades ficarão melhores se o poder público lhes der mais atenção. Toda vez que se pensa em motoqueiro, surge a idéia de proibi-lo de fazer isso ou aquilo. Mesmo os motoboys, que não carregam ninguém na garupa, são tratados como condutores de veículos de segunda categoria, intrometidos. Eles são mais de 1 milhão de brasileiros que ralam entregando papéis, pizzas e encomendas. Faturam entre R$ 500,00 e R$ 800,00 por mês, muitas vezes sem direito a nada.
Figuras diabólicas, freqüentemente malcriadas, movem-se em ziguezague e danificam os espelhos dos carros. Mesmo assim, asseguram pizzas quentes, bem como a produtividade de empresas que precisam de transporte rápido. Em São Paulo, morre um motoboy por dia, quase sempre sem seguro de vida.
O motoqueiro não é problema, é solução. Problemas são os engarrafamentos e a má qualidade do transporte público.

por Hélio Gaspari
Código de Trânsito Brasileiro, Art. 29, XII, § 2º. Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

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rafaeladvogado
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joviman escreveu: ... Admitindo-se que cada moto-bandida seja usada em apenas dois roubos num ano, a relação das garupas paulistanas com a delinqüência fica em 1,4%. É um índice inferior ao dos ministros de Lula que foram indiciados em processos criminais (10%).
...
Ótima comparação !!! :wink:
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rgallas
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Não sei quem é esse Hélio Gaspari mas já viri fã.

Uma visão de fora, imparcial, sem buscar culpados. Gostei
Roque Gallas Jr.
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Jovi
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Mortoboys

Para quebrar o gelo e preencher os incômodos espaços vazios que às vezes surgem em conversações, ingleses se valem proverbialmente de comentários sobre as condições climáticas ou o horário dos trens. Em São Paulo, com uma pluviometria menos surpreendente que a das ilhas britânicas e mal servida por linhas férreas, é o trânsito que faz as vezes de curinga dialógico. Como cada qual é afetado de forma diferente pelas manifestações aleatórias e multifacetadas do tráfego, todos sempre têm algo a relatar --garantia de que a interlocução não murchará. Como se trata de fenômeno complexo e multifatorial, permite que a conversação flua pelas mais diversas áreas do conhecimento e da experiência humanos.

Basta sentenciar que a única solução é investir pesadamente no transporte coletivo para imprimir algum conteúdo social ao diálogo. Os que desejam escancarar sua profissão de fé liberal aproveitam para defender o pedágio urbano. Céticos na natureza humana desembainham as cifras assassinas --são quase 40 mil mortos por ano no Brasil-- e decretam a inviabilidade, senão da espécie, pelo menos a da nacionalidade. Sejamos ou não viáveis, o trânsito se oferece aos paulistanos como uma janela para discutir sociologia, direito, economia, urbanismo e até um pouco de biologia e física (dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo).

A amplitude do material é tamanha que também possibilita ao maieuta hábil manipular a conversação para despertar no interlocutor o estado emocional desejado. É só fazer apelo a um engarrafamento inesperado (situação por todos já vivida) para instigar-lhe a empatia, que pode chegar à indulgência se o relato servir para justificar um atraso ou outra conduta omissiva, ou à raiva, se for revelado que o congestionamento teve como causa um gesto de imprudência.

No caso específico de São Paulo, a exuberância do trânsito foi ainda reforçada pelo surgimento de uma espécie desconhecida em outras paragens: os motoboys. A um só tempo vítimas preferenciais e predadores insidiosos, estes estafetas urbanos, que morrem à macabra razão de um por dia, se converteram numa virtual unanimidade negativa. Entre condutores de veículos com mais de duas rodas, é difícil encontrar quem não os odeie. Também pudera. Muitos dos representantes da categoria circulam com fúria por espaços improváveis entre as faixas de rolamento das grandes avenidas, buzinando feito malucos e arrancando os espelhinhos laterais de motoristas incautos. Quando por acaso um dos motoboys é ferido em acidente que envolva também um carro, logo dezenas de colegas se enxameiam à sua volta para tirar satisfações com o chofer do veículo de passeio, intimidando-o mesmo que a culpa pelo sinistro caiba exclusivamente ao motoboy.

Como diligente condutor de automóvel de quatro rodas, compreendo o impulso de alguns de meus homólogos de mandar eletrificar com carga letal seus espelhinhos laterais. Em seu devaneio, o motoboy que neles relasse encontraria morte instantânea, relativamente indolor e acima de tudo justa. Mas precisamos aprender a separar sentimentos pessoais das considerações racionais que devem servir de base para a tessitura da legislação. Até motoboys merecem um julgamento justo antes de ir para a cadeira elétrica.

A turma de bom coração gosta de atribuir as agruras dos motociclistas paulistanos ao sistema. Como costumam ser remunerados pelo número de entregas realizadas, dirigem desembestadamente na tentativa de ganhar alguns cobres a mais. Disciplinar o regime de trabalho seria de fato desejável, mas acho improvável que funcione. O setor de motofrete vive na mais pura e plena informalidade --à beira até da marginalidade. E, para impedir um cidadão de circular numa via urbana com sua motocicleta carregando o que bem desejar, sejam documentos, pizzas ou qualquer outro produto não-ilegal, seria necessário revogar os direitos e garantias fundamentais, o que (espero) a sociedade não está disposta a fazer --nem mesmo se for para acabar com os motoboys.

Brincadeiras à parte, é fácil identificar o culpado por essa situação de pré-guerra civil entre motoristas e motoboys. Trata-se do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, há dez anos, quando da sanção do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), contrariando o parecer de técnicos e a vontade do Congresso Nacional, vetou o artigo 56 do projeto original, que dispunha: "É proibida ao condutor de motocicletas, motonetas ou ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela". Não sei a que poderoso lobby FHC atendeu, provavelmente ao dos pizzaiolos, mas os resultados estão aí para quem quiser verificar: de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), de São Paulo, 52% dos acidentes com motos em 2006 ocorreram devido à circulação entre os carros. Morreram 380 ocupantes de motocicletas, salto de 10% em relação a 2005 e de 50% quando se consideram os dez anos anteriores. É claro que, nesse período, a frota de motocicletas da cidade também cresceu: foram 117,6%, contra um aumento de 25,5% no número de carros.

Até acho que o Congresso deve reinstituir o artigo vetado. A própria CET já estuda enquadrar os motociclistas que circulam entre carros por desrespeito a outros artigos do CTB, como não guardar distância lateral (art. 192), ultrapassagem pela direita (art. 199) e direção perigosa (art. 169). Mas duvido um pouco dos resultados. Agora que a cultura de andar por entre os automóveis já está plenamente estabelecida, revertê-la exigiria mobilizar por vários meses uma legião de fiscais e policiais que têm várias outras tarefas para realizar, algumas até mais urgentes.

É nesse contexto que o prefeito Gilberto Kassab aparece com paliativos como a proibição de motos nas vias expressas das marginais do Pinheiros e do Tietê. Não creio que vá dar certo. Por falta de capacidade de fiscalização, São Paulo já conta com cerca de 30% de seus veículos na ilegalidade, isto é, sem pagar IPVA e multas. Motos ainda mais facilmente do que carros conseguem escapar ao controle das autoridades. É só o segundo ocupante da moto pôr a mão sobre a placa traseira para torná-la imune à fiscalização. Por essas e outras já há até quem pense em vetar também a garupa.

Embora eu seja extremamente cético quanto à solução do problema, torço para que ela venha. O melhor caminho ainda me parece o da retificação das normas de trânsito seguida de um esforço de implementação. Embora a logística seja difícil, há sentido econômico em tal esforço. Segundo a CET, ocorrem por dia dez acidentes com motos, boa parte dos quais implicam procedimentos custosos como a utilização de serviços de resgate e leitos de UTI na rede pública. Isso, é claro, sem mencionar os ônus previdenciários e o custo das incalculáveis horas-trabalho perdidas nos congestionamentos provocados por acidentes.

Embora não me considere um Mangabeira Unger capaz de visões futurísticas dos aquedutos suspensos sobre a Amazônia, gostaria muito modestamente de apresentar minha sugestão para reduzir a violência no trânsito. A melhor explicação que encontrei para a transformação de pessoas normalmente gentis e pacatas em monstros fominhas quando se sentam atrás de um volante está no fato de que os veículos raramente permitem contato visual entre os condutores. Nossas mentes não estão equipadas para reconhecer monoblocos de aço e capacetes de fibra de vidro como elementos com os quais devamos interagir socialmente. Por não encontrar neles nenhum traço das expressões faciais e linguagem corporal que medeiam nossos relacionamentos ordinários, nós os vemos como bólidos de pura intencionalidade, que se colocam em nossos caminhos com o intuito único de nos atrapalhar. Como não vemos a face do motorista, não admitimos a hipótese de ele estar distraído, emocionalmente perturbado etc. Privamo-lo de sua humanidade. Não passa pela nossa cabeça que, dentro de um carro ou atrás de um capacete sem rosto esteja um sujeito cuja aspiração de dobrar à esquerda é tão legítima como a nossa. Para levar a civilidade ao trânsito, minha proposta, que ainda precisa ser submetida ao teste da realidade, é que os carros sejam equipados com microcâmaras, as quais projetariam a imagem do motorista em telões instalados sobre o capô. Munidos desse aparato, veículos deixariam de ser objetos anônimos com os quais é mais difícil interagir em padrões civilizados para converter-se numa versão, ainda que desengonçada, de ser humano.

Se a experiência fracassar, pelo menos poderemos usar os telões para confundir os condutores inimigos exibindo DVDs pornográficos e outras manobras diversionistas.

Hélio Schwartsman, 42, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.

E-mail: helio@folhasp.com.br
Código de Trânsito Brasileiro, Art. 29, XII, § 2º. Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

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