Meu pai tem um VW Apolo e a ligação original do rádio só deixava ele ligar se o carro estivesse ligado. Então, uma vez fui lavar o carro e para ouvir uma música ao mesmo tempo, deixei o caro "ligado" (painel acesso, pronto para dar a partida) mas sem o motor funcionando. Depois de alguns minutos eu senti um cheiro de queimado e era a bobina de ignição que tinha "fritado" e já estava "babando betume", de tanto que tinha aquecido.
Na teoria, o que foi que aconteceu: Esta bobina era do tipo autotransformador (1 núcleo, 1 bobina com derivações). Neste tipo de transformador, é necessário haver um consumo de energia no seu secundário, senão há um retorno de energia para o núcleo e isso irá sobreaquecer a bobina. Tente imaginar como uma onda em uma piscina: Quando a onda chega na borda ela rebate e volta de onde veio, se não tiver nada para "usar" essa onda, como uma bóia para sacudir e diminuir assim a sua energia.
Não sei como é a estrutura de construção da bobina da Mirage mas é comum o uso de autotransformador quando desejamos aumentar muito a tensão de saída que neste caso é o que alimenta as velas e gera a faísca. E para isso é necessário tensão alternada do alternador. Essa tensão deve aumentar cerca de 10 vezes, subindo de ~90Vac para uns 900Vac. Não sei os valores exatos, mas a diretriz é essa, pois é necessário uma tensão alta para que haja faísca. São necessários aproximadamente 10.000V para que haja uma faísca entre uma distância de 1cm.
Voltando para a prática: acho que vale à pena avaliarem as tensões do alternador e as reisistências das bobinas, antes de ligarem tudo novamente. E agora, vale ainda um teste na ECU, que costuma ser sensível a descargas altas, se não estiver corretamente aterrada e ligada.
Camarada, APROVEITA A GARANTIA!


