ACIDENTE COM ÔNIBUS DO BRASIL DE PELOTAS
Um acidente envolvendo o ônibus que levava o time do Brasil-Pe de volta a Pelotas ocorreu por volta das 23h40min no km 150 da BR-392 em Ganguçu, no sul do Estado. Segundo informações preliminares da Polícia Rodoviária Federal de Pelotas, o ônibus teria caído em um barranco. Três pessoas teriam morrido e 23 teriam ficado feridas.
O Hospital de Caridade de Canguçu recebia as primeiros passageiros, mas, no começo da madrugada, não tinha informação sobre o estado de saúde ou o número de pessoas machucadas no acidente.
Ao menos oito equipes de socorro de municípios próximos foram deslocados para o local. Preocupado com a situação, o presidente do clube, Helder Lopes, deslocava-se para o local.
— Ainda não sei o que aconteceu. Só sei que o ônibus caiu em um barranco e há feridos — afirmou.
O Brasil voltava de viagem depois de enfrentar a equipe do Santa Cruz em amistoso preparatório para o Gauchão. O time venceu o jogo por 2 a 1. Ídolos da torcida xavante como o atacante Claudio Milar e o goleiro Danrlei participaram da partida. O jogo foi disputado em Vale do Sol, cidade vizinha a Santa Cruz do Sul.
PRF confirma morte de Claudio Milar e mais dois em acidente com ônibus do Brasil de Pelotas
Três pessoas morreram no acidente envolvendo o ônibus que levava a delegação do Brasil-Pe de volta a Pelotas no fim da noite desta quinta. A informação foi confirmada pelo coordenador de operações da Ecosul (concessionária que administra a rodovia federal), Eder Portantiolo, e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A PRF divulgou, inclusive, o nome de três mortos: o atacante uruguaio Claudio Milar, ídolo da torcida, o zagueiro Régis e o treinador de goleiros Giovani Guimarães.
Segundo a PRF, o ônibus caiu em um barranco de cerca de 40 metros a 50 metros, o equivalente a um prédio de 15 andares. O acidente teria ocorrido no anel de acesso à BR-392, quando ela se encontra com uma rodovia estadual, a RST 471. O veículo vinha pela 471 quando o motorista perdeu o controle, capotou sobre a pista e despencou rolando. Ao ser socorrido, o motorista disse aos funcionários da empresa Ecosul que não sabia explicar como não conseguira vencer a curva.
O ônibus ficou com as rodas para cima. Cerca de 30 pessoas estavam no ônibus. Os feridos mais graves foram conduzidos para hospitais de Pelotas, a 83 quilômetros do local do acidente. Os passageiros com ferimentos mais leves foram conduzidos até o hospital de Canguçu, a 29 quilômetros do local. Mais de 10 ambulâncias foram utilizadas no atendimento da ocorrência.
O goleiro Danrlei, que atuou no Grêmio e recentemente foi contratado pelo clube pelotense, foi um dos primeiros a sair do veículo, e ajudou no socorro aos colegas. Ele teria apenas machucado o braço. Danrlei tinha sido um dos destaques do jogo da tarde, quando o Brasil venceu o time do Santa Cruz em um amistoso, na cidade de Vale do Sol, no Vale do Rio Pardo, por 2 a 1. O goleiro disse que, ao sair do ônibus capotado, percebeu que seu colega Milar estava morto.
Sobrevivente revela detalhes da tragédia com ônibus do Brasil-Pe
"Eu dizia 'não quero morrer, não quero morrer'", revela Odair
O volante Odair foi um dos jogadores que sobreviveram do acidente desta madrugada envolvendo o ônibus do time de futebol do Brasil-Pe. Comovido pela morte dos colegas Claudio Milar e Régis Alves, e do preparador de goleiros Giovani Guimarães, o atleta, que estava com uma atadura na mão direita, narrou os momentos que antecederam a tragédia, no km 150 da BR-392, na altura do município de Canguçu, no sul do Estado.
— Estávamos no segundo andar do ônibus. Eu estava no último banco e pensei: 'vou lá para frente com o motorista'. Fui a caminho do meio do ônibus, e o Claudio Milar e o Paulo Roberto estavam tomando chimarrão. Daí, eu sentei no vão do banco para tomar chimarrão com eles e fiquei por ali — lembra o volante, esclarecendo que alguns jogadores, entre eles Milar, estavam sem cinto de segurança.
O acidente teria acontecido por volta das 23h40min de ontem. Segundo a Polícia Rodoviária Federal de Pelotas, o ônibus teria caído de um barranco de cerca de 40 metros — o equivalente a um prédio de 15 andares.
— O ônibus girava e batia. Eu dizia: 'eu não quero morrer, não quero morrer'. Uma hora, ele (o ônibus) parou e eu achei: 'estou vivo'. Então ele começou a despencar mais. No final, parou e eu estava com medo de que o ônibus explodisse. Queria sair, mas não achava a saída. Daí eu ouvi o Danrlei, que já estava fora do ônibus, gritando — relata, explicando que estava com muita dor nas costas.
— Um outro jogador me puxou para uma fresta, daí eu disse: 'Danrlei me puxa que eu não tenho força para sair'. O Danrlei, mesmo com o braço machucado, me puxou e me jogou para o barranco. Eu saí e fomos tentar salvar os outros. Queríamos buscar todo mundo. Nos separamos para subir o morro e buscar ajuda e os outros socorriam. O lugar é muito alto — finalizou Odair.[/img]